verte

Eu assisti um documentário pra tentar te entender. Bom, o tempo bem é o mais precioso da nossa existência. Aliás, tudo o que temos é o tempo. Mesmo assim, o tempo é o dono do seu próprio desenrolar por mais tempo que podemos imaginar. Quanto tempo o tempo tem? Sim, o tempo é o nosso maior amigo e o pior inimigo. Nessas horas de saudade, o tempo se arrasta como um caramujo recém acordado. Nas agonias, o tempo passa como o ranger do garfo no prato – rápido e agoniante. Nas horas de felicidade, passa assim como as batidas do seu coração, rápido e forte. Percebe como o tempo tem a ver com as batidas de nosso coração?
Você saiu daquele quarto de hotel e foi rápido como uma bala de um revolver qualquer. Não te achei mais. Bala perdida. E no silêncio daquele quarto, do último suspiro, você me fez pensar sobre muitas coisas. E hoje, quando o silêncio vem é pra ti que minha cabeça vai. Devaneios nesse calor carioca. Ligo a TV pra disfarçar toda essa agonia. Vejo filme, já coloquei todas as séries em dia, mas não adianta. Não agora, não hoje. Se ligo a música, Marisa Monte me canta o que você me fez e faz sentir e Mon Lafert me canta o que só eu vi. Foi sem querer que te tirei o ar com minhas urgências. Me desculpa, mas gosto das profundezas. Sou como as águas de minha mãe, sou uma cachoeira forte e profunda.
É que eu viajava onze horas num piscar de olhos para te ver sorrir. É que seu sorriso me faz sentir como se todas as borboletas do meu estômago fossem de menta. E quando você me olha, é como um copo de água bem gelada molhando as borboletas aqui dentro. Eu tentei entender sobre o tempo. Desafiei entender como você se encaixa no mundo. Besteira, quem sabe demais, não entende nada. Mas é que eu sempre achei conforto no seu peito. É que eu conheço o cheiro que sai de ti, basta me dizer de que parte da cidade vens.
A parte mais forte disso, é que quando todas as lágrimas secarem, e de mim se esvaírem, você vai embora junto.

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mas

Oito da manhã não é o mesmo horário sem você acordando do meu lado. O sol que expulsou a gente da cama é o mesmo que aquece meu coração todos os dias pela manhã quando o vazio da sua falta insiste em me dar bom dia. Eu não costumo acompanhar o sol em sua jornada, mas acredito que ele nunca brilhou tanto quanto no momento que a gente se sentou junto parar assistir ele sair de trás do oceano com a cara amassada de quem dormiu a noite toda, o que não era nosso caso. Não sei muito sobre a lua. Não sei o que faz com que ela se encha, mas acredito que no dia em que você chegou e a gente ficou junto ela se encheu um pouco mais. Não garanto sobre a lua, mas garanto sobre meu sorriso.  Não sei quantas voltas o relógio ainda vai dar até o próximo abraço no qual poderemos morar juntos, mas acredito que vai chegar. Assim como não sei muito sobre as verdades. Sobre nenhuma verdade e acredito que você também não. Não sei muito sobre nenhum de nós dois. Me ensina, a gente aprende junto. Não sei se você acredita na poesia, se gosta dela. Eu acredito que a vida seja a poesia sobre céu aberto e da vida eu sei que você gosta. Poesia daquelas que a gente ouve e olha pro nada esperando uma resposta do mundo. Como um tapinha no ombro, daqueles que dizem que tudo está bem. Vai dar certo. Não sei se você acredita em astrologia, santo ou o algo energético, mas sinto que minha energia se fortifica quando a gente está em contato. O grande índice de Iodo nas areias da praia de Atafona trazendo contigo um grande poder energético e tem algo na astrologia desses dias que diz sobre transição e aprendizado. Eu acredito estar aprendendo muito com você, com toda essa liberdade que a gente viveu. Espero que possamos aprender sobre distância e sobre como diminuí-la.

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ouça

Me escuta, vou ser breve. Amanhã eu acordo às 6. Mas hoje eu preciso falar. Assim como a lua precisa que o sol derrame seus raios nela para que a gente possa viver do jeito que a gente vive na terra. Eu preciso falar.
Eu preciso falar sobre o quão ruim é a falta de confiança que tens em mim. Eu preciso falar o quão mal eu me sinto por todos os erros que eu cometi com você. Eu preciso falar sobre todos os textos da Matilde Campilho que eu a ouvi recitar hoje e que me empurraram pro bloco de notas. Eu precisava agradecer a quem me apresentou a essa autora. Poetisa. Aliás, o que você costuma escrever no seu bloco de notas? O que costuma fazer quando essa ansiedade entra no seu peito? Aquela vontade de deitar sozinho como se pudesse se enrolar em volta de si mesmo, você tem? Quais suas vontades?
É incrível a capacidade que temos de achar que conhecemos uns aos outros. Eu não conheço ninguém. Eu não conheço você. Eu não sei se você prefere o azul ou o verde. Eu não sei se você já quebrou o seu braço enquanto corria na rua. Você corria na rua? O que você faz quando sente a falta de alguém? Eu sinto sua falta. Das noites que me contavas todas aquelas histórias em seu microfone. Tu lá. Eu cá.
A última primavera não fora tao boa quanto a que a antecedera. Talvez por falta de flores. Mas pela nossa distância. Pela saudade. Pela falta de confiança. Queria que as máquinas do tempo funcionassem de fato. Como a imaginação de uma criança criativa. De qualquer forma, eu ainda estou aqui. Você ainda está aí. Eu não sou bom em escalas. Mas sei que nossa distância não é nem um grão de areia na vastidão do universo. Estamos mais perto do que imaginamos. Se tudo der certo, talvez esse inverno seja menos frio. A primavera seja mais florida. As águas de março já foram mais calmas.

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Tato

Quero com meus lábios
atirar-lhe flores
No pé do seu ouvido
Em forma de poesia sussurada

Vou tatuar em tuas costas
Minhas cantigas
Com minhas unhas afiadas
Em pleno transe

Com meus pés aprendi
Caminhando por suas curvas
-Mesmo fora de escala-
Sobre a distância e,
Por conseguinte
Sobre a saudade

Nadarei com minhas mãos
No emaranhado do seu cabelo
Para que sintas o tato
Do meu cafuné
Até que seus olhos descanse

Vou despir minha alma
Deixá-la nua
E mostrar que ela aguenta
Qualquer frente fria
Inclusive a do seu coração

Ricardo Paixão

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foi-se

tudo certo
sinto o que eu me permito sentir
cavo o poço
na profundidade que eu posso cair
nenhum poço é tão fundo
que eu de lá não saia
se a saudade aperta
corro pra afrouxar

se pergunto como está
seu tudo bem é meu afago
a notificação das suas mensagens
são minhas doses de morfina
ou nicotina diária

tem gente que é viciado em álcool
cada um com seu vício
talvez o meu seja você
“fôra”

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garotas

meu corpo
nada mais é
que uma parede
algum tipo de redoma
onde guardo em minhas envolturas
um amontoado de
sentimentos ânsias e anseios
emoldurado em toda
placenta ou algo menos bucólico
com conchas do mar
coladas com cascorez

se como dizia arnaldo antunes
“o escuro é metade da zebra”
sou dela um todo
sou terra e minha lua,
meu anjo da guarda
luz do
crepúsculo

elas são
todo medo e toda alegria
são de todos os jeitos
tem de tudo um pouco
algumas são conhecidas
outras mais tímidas
vivem em minhas
molduras

tem dia que
são fortes
tem dias que são azuis
mas nenhuma resiste ao céu de domingo
após alguma rebelião interna

Ricardo Paixão

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(outro sem título)

Queria mais um vez ouvir
Este teu silêncio misterioso
Beijar o teu sorriso bobo
Me embebedar do seu olhar
Queria ficar mais três dias
Debaixo da chuva fria
Numa barraca com colchão de ar
Furado e remendado
Com o seu toque indefinido
Entre macio e grosso
E o cheiro de perfume
Sempre no lugar
O seu jeito de estar
Sempre por perto
Bem arrumado
Busco rever o encontro
Do seu jeito malandro de olhar
Com o sorriso maldoso

E se pôs o sol por detrás das montanhas
E eu me pergunto
Por onde você se pôs

Ricardo Paixão

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